Como diagnosticar queda de tráfego orgânico?

Identificar e diagnosticar queda de tráfego orgânico é uma das bases do SEO. Surpreende, por isso, que muitos dos SEOs mais júniores tenham dificuldade em ler gráficos e retirar ilações do que estão a ver.

A queda de tráfego orgânico nem sempre (quase nunca) está relacionada com um update do Google, mas é sempre necessário entender padrões e fazer correcções quando necessário

Antes de saltar para a análise da queda de tráfego, não é demais relembrar a importância de relatórios pré-formatados, seja em Google Analytics ou em Omniture, para que sejam analisadas visualmente as principais métricas todos os dias de manhã

É apenas uma flutuação?

Antes de soar os alarmes, é preciso saber o que estamos a ver nos nossos dados. É mesmo uma queda? Estamos certos disso?

a) A informação é de confiança?

O Google Analytics (ou o Adobe Omniture, ou outro software de análise de visitas) mostra uma quebra nas visitas. É possível ver o mesmo comportamento no Google Search Console? O que dizem os dados dos outros canais? Mostram a mesma tendência ou só SEO está com eprdas?

Problemas de tracking são bastante comuns e podem ter diversas causas. Mas também são os problemas mais fáceis de entender e os mais fáceis de soluccionar. Geralmente, há uma perda total de informação durante um ou dois dias. A não ser que o site tenha desaparecido da SERP, é pouco provável que a origem do problema seja outra que não um problema de “tracking”

b) É uma tendência esperada

As métricas, sejam visitas ou conversões ou outras, terão sempre flutuações ao logo das semanas, meses e ano. A melhor forma de perceber se estamos perante sezonalidade é comprar o mesmo dia ou semana dos anos anteriores

Antes disso, o melhor até é olhar para o calendário e ver se houve algum feriado ou evento que possa ser responsável pelas movimentações

Fazer análises WoW (ou seja, comparar a semana actual com a anterior) também ajuda a encontrar respostas

Se os dados forem consistentes e se a queda não for esperada, então há que olhar para outros aspectos

c) Houve alguma alteração no site?

Em períodos pós-migrações é natural ver algumas quedas no tráfego. Confirmar com o departamento de IT se houve alguma mudança não anunciada (por menor que possa parecer) é sempre uma boa prática. Confirmar sitemaps e robots.txt também só demora 2 minutos.

d) Como estão ou outros canais?

Comparar SEO com PPC geralmente é uma excelente forma de entender porque é que o canal orgânico está em perda. Maior investimento em canais pagos pode canibalizar os resultados de SEO, e nem sempre isso é algo negativo. Mas é importante que toda a empresa esteja a par do conflito

Esta situação é clara de analisar quando o tráfego de PPC cresce ao mesmo tempo que o tráfego orgânico decresce

e) Quando foi o Google update mais recente?

MozCastSearch Engine Land, and Moz’s algorithm history são boas fontes de informação. O Semrush também tem alertas e notas sobre movimentações em cada Mercado.

Se houve um Google update nos dias de queda de tráfego é provável que haja uma relação causa-efeito. Descobrir a natureza do update do Google pode ser mais difícil. Ler fóruns e comunicar com a comunidade de SEOs tende a ser uma boa fonte de inspiração para entender onde o Google anda a atacar

f) Segmentação do problema

Indepentemente da existência ou não de um update do algoritmo do deus Google, há uma análise que tem de ser feita: segmentação do problema

  1. Esta quebra de métricas afecta Desktop, Mobile ou ambos
  2. Que página: blog, páginas de produto, homepage, página de categorias…

Saber onde está o problema poderá ajudar a encontrar a identificar as causas. Se a queda é só em mobile, estará a versão mobile a funcionar? Estarão os utilizadores capazes de converter através de mobile?

O mesmo se aplica para as páginas. O que se passa de específico nesse grupo de páginas que possa justificar perdas?

g) Há penalização manual

É muito pouco provável, mas se não houver, até este ponto, uma razão para a queda, vale a pena confirmar a Search Console. O Google irá enviar uma mensagem a alertar para penalizações. Procurar na SERP do Google pelo nome da marca ou produto e não o encontrar indexado também é um bom indicador de penalização

h) E os rankings

Visitas e conversões têm uma ligação bem directa com rankings. O que dizem as suas ferramentas de tracking? Há queda nos rankings também? Que KWs? Se não tiver nenhuma ferramenta para fazer esta avaliação pode sempre usar a Search Console, que dará informação aproximada e relevante…. mas só depois de dois dias

i) Mudanças na SERP

Por vezes, o Google muda a SERP, colocando Featured Snippets ou um mapa. Outras vezes é a concorrência que tem mais resultados pagos de PPC. Analisar a evolução da SERP nos dias anteriores à queda pode responder à pergunta

j) E a concorrência

Está a perder “share” para a concorrência? Como estão eles em termos de rankings para esse mesmo período

Analisar a concorrência poderá ajudar a encontrar um problema. Às vezes não é o Google que muda as regras do jogo, a concorrência é que aprendeu a jogar melhor

Estes são só alguns dos passos que podem ser realizados para diagnosticar queda de tráfego. Há outros como olhar a queda no número de backlinks ou confirmar que não há um ataque de SEO Negativo. Geralmente, esses serão sempre as últimas hipóteses a serem confirmadas por serem mais raras de acontecer.

Pode sempre fazer uma auditoria de SEO.

 

Queria ser Jornalista, mas fugi para o Marketing e dei por mim a trabalhar como SEO. Em agência ou in-house, já trabalhei com projectos do Spotify, Telepizza, Amazon, Hostelbookers, Hostelworld, 360imprimir ou EF Education First. Sonho um dia ainda voltar a Portugal e viver do Marketing Digital. Fundei a SEOPortugal para ajudar a divulgar o SEO e partilhar algum conhecimento.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *